Tim-Tim

FELICIDADE

levantemos o copo e vejamos o mundo
através do vidro
vê-lo-emos de diversas cores
conforme o licor que desfrutemos

alguns hão-de vê-lo
tal como é:
injusto e doloroso

serão os que têm água no copo

Aldo Luis Novelli

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Do caminhar


Cena do filme: “Les Chansons d’Amour”

 

MADISON AVENUE

Há que fugir das pessoas. Os amigos
têm palavras, gestos e olhares
com uma pedra lá dentro que magoa.

Há que fugir das pessoas. A família
é só a mão que segura a cabeça
para a manter debaixo de água.

E o amor não passa de uma palavra
que uma mulher nos põe entre os braços.
Ao partir a mulher fica seu nome a doer.

Viver isolado é grato para a alma.
Viver isolado é grato para o corpo.
Morrer é apenas isolar-se um pouco mais.

José María Fonollosa

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Palavras escritas com dor

UMA HISTÓRIA VULGAR

Que estranho é de repente tudo isto
quando te acontece a ti: arruinar-se a carne,
faltar o entusiasmo, esses dois baluartes
que jamais se renderam, nem mesmo
quando tudo tremeu em algum momento.
A realidade apanha-te e o mundo parece-te
um chiclete mastigado que desagrada
manter na boca sem sabor. Vais chegando
onde jamais pensaste que chegarias,
porque um jovem não pensa seriamente
– esse, aliás, o presente maior da vida –
que o seu destino seja a degradação.
É vulgar esta história como aquelas
que lias distante nos versos alheios:
outro homem compreende que gastou
para sempre a parte mais preciosa
e também a mais breve do seu tempo.
É vulgar esta história
e ao mundo não lhe interessa.
O que tem de novo é que agora
esse homem és tu.

Vicente Gallego

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Pedra interessante

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Saudade em Florianópolis

PARA UM AMIGO TENHO SEMPRE UM RELÓGIO

Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.

António Ramos Rosa

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Verso

“(…)então vai-se ao tempo que passou, que só ele é verdadeiramente tempo, e tenta-se reconstituir o momento que não soubemos reconhecer, que passava enquanto reconstituíamos outros, e assim por diante, momento após momento, todo o romance é isso, desespero, intento frustrado de que o passado não seja coisa definitivamente perdida. Só ainda não se acabou de averiguar se é o romance que impede o homem de esquecer-se, ou se é a impossibilidade do esquecimento que o leva a escrever romances.”

José Saramago, História do Cerco de Lisboa, Caminho, 2008

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Canto Triste

Existem música que são assustadoramente perfeitas, suas letras dão arrepios incontroláveis e modificam a forma do coração bater e compassam-no ao suspiro. Canto triste é um exemplo firme disso.
Eu resolvi colocar mais que uma interpretação; a primeira é a que eu mais gosto, é o conto do próprio criador Edu Lobo; a segunda é com a Gal e sua voz afinadíssima; por fim, Monica Salmasso, cantora explêndida, uma nova luz para a música brasileira.

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